domingo, maio 27, 2007

apresento-me...

Tal qual grandes prémios de cinema, teatro e afins, com estatuetas reluzentes, foi-me hoje atribuída a enormíssima honra (aproveito para agradecer à família, aos amigos, ao cão, etc…) de integrar a esplendorosa equipa de escritores deste blog… muito mau…

Uma pessoa vagueia pela Internet, sem saber muito bem o que fazer, e vem parar a um cantinho destes… muito mau… Dói o cérebro só de ler estes posts realmente… maus!... De tão maus que são, alguns até arrepiam aqueles pelinhos na parte de trás do pescocinho (vulgo… cachaço) ao simples acto de rolar os nossos olhinhos nestas singelas palavrinhas.

Um agradecimento (é favor visualizar a estatueta dourada na minha mão esquerda e o microfone na direita) à equipa que, ao ler os meus escritos anteriores, os considerou tão… maus!... que me convidaram a participar neste projecto. Desejo apenas que os meus posts sejam tão… maus… como os dos fundadores do blog. Aí poderei ter a certeza que na minha veia de escritora corre sangue mesmo mesmo mesmo… mau.

Prometo que o próximo post vai ser mesmo… muito mau.

Obrigada pela confiança.

terça-feira, maio 15, 2007

Caos em Harmonia

Não passo disto.

Um dos meus maiores desgostos é o facto de eu ser uma desorganizada compulsiva. Pior: uma desorganizada que só se entende na organização, esquemática, estratégica, padronizada extremamente metódica, tudo reunido num só conceito global que funciona como tema.
Adiante: vou passar ao relato de um pequeno gesto que demonstra bem o meu retorcido processo mental e habitual... enfim, como toda a minha vida se desenrola:

Certa madrugada decido forçar o sono. Deito-me. Espero que chegue o sono. Computador ao colo, duas almofadas, chá na mesa de cabeceira. Gata na cadeira em frente da mesa de cabeceira, ao lado da minha cama. Edredon torna-se cada vez mais quente. Continuo a esmerdilhar no computador. Não aguento o calor. Tiro a sweat. Atiro a camisola para as costas da cadeira da gata. Camisola cai da cadeira abaixo. Faço de conta que não presenciei o tombo, e para me tornar ainda mais convicta nesta ignorância continuo, mas agora com mais afinco a responder a e-mails de há 4 anos atrás. Finalmente, o cansaço chegou: vou conseguir dormir! Computador para o lado, edredon para cima, festas na gata, luzes apagadas.
No meio do negrume sinto que a gata se move na minha direcção. O meu ego incha, erroneamente convencido que finalmente vai ser o premiado com a excelsa presença felina. Gata desvia rota. Sons orgânicos que envolvem felinos e líquidos, fazem-me presumir que a gata gosta de chá. Silêncio. Som de cerâmica a raspar na madeira e zumba: chávena querida do serviço mega-especial-super-predilecto-da-minha-mãe em queda, eminência de ensopamento do soalho e sequente espalhamento de cacos cortantes e preciosos. Mantendo os olhos fechados e esperando o veredicto sonoro resultante da queda, eis q não ouvi mais que um som surdo e seco. Admirada, acendi a luz e inclinei-me toda sobre a cama e deparei com o milagre da desorganização levado ao extremo: a chávena intacta, graças ao amortecimento proporcionado pela camisola, desleixadamente caída no chão. Como se não bastasse, a mesma, engoliu o chá todo salvando o soalho!!!!

Isto é o que chamo de juntar o inútil ao agradável

domingo, maio 13, 2007

Quem são, afinal, os totós?

Se uma pessoa não bebe bebidas alcoólicas, nem café, nem fuma, nem gosta de comer comidas excessivamente condimentadas, nem de ir a locais com luzes estroboscópicas e sons ensurdecedores (vulgo discotecas) é logo apelidada de totó, porque "não sabe aproveitar a vida". Quem diz isso, também defende que quem tem uma vida dita saudável, para o fazer, tem necessariamente que renunciar todos os prazeres da vida, pois só dá prazer aquilo que faz mal ao corpo. São também da opinião que quem tem uma vida dita saudável, só o faz porque pensa que com isso vai conseguir prolongar a sua vida, mas questionam qual o interesse de o fazer, se não vão tirar qualquer partido disso...

A mim sabe-me melhor beber um copo de água que um de vinho. As comidas condimentadas e o café fazem-me azia. A música excessivamente alta faz-me dores de cabeça. As luzes estroboscópicas enjoam-me. E o fumo do tabaco provoca-me uma irritante sensação de mau-estar.

Será que o prazer da vida é sentirmo-nos mal, enjoados, com dores e azia? Isso a mim causa-me depressão e mau-estar e não considero isso bom, nem acho que isso seja aproveitar a vida. Acho sim que é desperdiçá-la, sucumbindo a estereótipos sociais do que deve ser uma vida de prazeres (e sacrifícios ditos como males menores), inventados sabe-se lá por quem... (ou se calhar até nem é preciso pensar muito para descobrir quem e porquê... mas o melhor mesmo é beber mais uns copos para não pensar muito, que isso de pensar é coisa de totós).

Não pratico exercício físico para manter a linha, aliás, a linha é coisa que nunca me preocupou... Gosto de correr descalço na praia, porque gosto de sentir a areia nos pés e de inalar o ar salgado do mar. Gosto de esbracejar dentro de água (vulgo nadar) porque me dá uma agradável sensação de liberdade.

Gosto de comer uma salada e beber um sumo natural, porque me sabem bem e me saciam a fome e a sede. E, ao invés de andar o dia todo a sentir-me pesado, mole e a tomar pastilhas para a azia (que o molho da feijoada provocou), passo o dia com uma sensação de leveza, bem disposto, e cheio de energia!

Se ter estas práticas saudáveis me fazem sentir bem no dia-a-dia e, além disso, ainda tem a consequência de me prolongar a vida... não vejo nisso um efeito nefasto...

Esses seres iluminados, que sabem viver a vida, vêm irreverência nos estereótipos mais estupidificantes e banais da sociedade (sem sequer se aperceberem que estão, muitas vezes, apenas a sucumbir a interesses económicos, mas é melhor nem ir por aí, que isso é conversa paranóica de totós). Eu, essa irreverência, vejo-a como um mero atestado de burrice.

E não, não é verdade que quem não fuma e não bebe também não fode. Pelo contrário, até é provável que o faça mais, pois tem melhor condição física para o fazer mais, melhor e por mais tempo...

Portanto, escusam de me vir tentar ensinar como é que se deve viver a vida e tentar convencer quais são os prazeres da vida, como provavelmente vos fizeram a vós. Eu quando quero ter prazer na vida, faço aquilo que realmente me dá prazer e não aquilo que os outros dizem que me deve dar prazer.

Experimentai um dia libertar-vos desses falsos ideais de prazer e felicidade. Sede verdadeiramente irreverentes, como julgais ser, e guiai-vos por aquilo que sentis e não por aquilo que vos dizem que deveis sentir. Talvez assim um dia sejais realmente felizes, em vez de meramente pensardes que o sois.

sábado, maio 05, 2007

sozinha

só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só tão só que dói na alma só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só

sexta-feira, maio 04, 2007

quero mais

Foste meu. Até que enfim não evitei a chuva e escorreste-me pelo corpo. Tive-te e tu tiveste-me. Quero-te mais e mais... quero-te ter-te mais em volume.
Sentir-te sentada no teu colo a escorreres-me pelo peito, aí donde te sinto e sempre te chamo. Quero que me vejas como eu te consigo ver. Para mim... és transparente ... vejo através de ti e é assim que te quero. Vem... não tenhas medo de mim... eu sei cuidar de ti. Estás e estarás sempre em mim... ainda que o negues por medo.

Lábio, quilha, água, noite, árvores, terra, gotas na pele, a vista turva, o gosto, o som e a pele exaltados.

Salvaste-me e eu comi-te a proa que trazes em vez do peito. Quero mais! O abraço foi longo e apertado. O abraço foi o alivio. Vomitámos o que tínhamos por digerir. Evitávamo-nos e, como cães antes da luta, olhávamos tudo, menos os olhos um do outro... e por isso não percebíamos como estávamos iguais.

Ainda sem olhar os olhos, cheirámo-nos. Tinha saudades da tua pele e nem me lembrava. Sei que também sentias... e também não sabias. Provei da tua pele e dei-lhe a provar-me e quis mais. Tudo à volta começou a desaparecer. Começámos a ficar isolados e precisámos de nos esconder.

Fugimos, sem medo e sem pressa, deixámos rasto com orgulho, quisemos ser vistos e comentados. E contente fiquei a pensar como iria ser difícil ter que lidar com as consequências graves do que fazíamos. De cara alegre me atirei e com mais gosto o fiz, quanto maior a minha desgraça.

Finalmente, sinto. Finalmente sei que sentes. Não como eu! O teu medo persegue-te, mas a mim o medo... está a tornar-se cada vez mais essencial para mim. Estou viciada nele e no risco. Procuro-o, forço-o, espicaço-o... e tu... vens arrastado com ele.
Como psicopata faço-o por curiosidade e... no fim... acabo por não me surpreender com a minha reacção
Sempre a mesma e... sem solução.

No caminho não havia obstáculos e nós fizemos questão de criar um para que a viagem fosse ainda mais agradável. Cara à chuva, contornaste-o quase todo, de maneira a ver o que ele escondia. Achaste que não havia problema. Pegaste em mim e disseste para eu me atirar desprotegida contra ele. Mais uma vez tive medo. Disseste para eu confiar... eu confiei e... foi maravilhoso.
Quando percebi o que me esperava olhei para trás e tu estavas lá ... a admirar como eu e comigo e... a proteger-me. Obrigada por estares lá. Obrigada por partilhares comigo. Não sei do que vem... mas o que foi... já valeu a pena qualquer consequência.

Sei que não vais ser meu. Eu seria tua se o quisesses. Sei que até queres... mas outra vez o teu medo... a tua revolta não te deixa entregares-te a mim

E é pena, porque eu sou a única testemunha de ti. Só eu te conheço, só eu te quero como tu és e pelo que és, só eu te perdoo e entendo a tua revolta, ainda que não tenha sido eu quem ta enfiou em ti. Comigo não tens que esconder nada, comigo tens de cuidar e admirar, tal como já o faço a ti, há muito e em segredo.

quinta-feira, maio 03, 2007

Vazio

O jantar estava frio e tinha aquele sabor habitual, igual ao cheiro do ar... incolor. Refugiei-me no escritório, às escuras, procurando algum sabor, aroma e côr, no som mágico que, como por magia, saía daquelas caixas pretas, imóveis e sem vida. Fechei os olhos e por momentos senti-me livre. Livre do tempo e do espaço. Estava noutro lugar. Onde? Não sei! Não tinha côr, nem cheiro, nem sabor, mas senti-me bem lá. Senti-me livre.

O som irritante do trote da cavalgadora de tijoleiras, que o destino determinou que morasse no apartamento de cima, fez-me abrir os olhos, e trouxe-me de volta para a realidade. Olhei em redor e tudo estava escuro. Escuro como o silêncio da Lua.

A minha respiração foi-se tornando mais lenta e calma, acompanhando a suavidade dos sons que saíam, ininterruptamente, das caixas pretas. Durante alguns segundos, senti uma paz interior maravilhosa, mas, como o destino tem formas estranhas de se rir, a cavalaria voltou a atacar. O som dos seus cascos Armani fez-me abrir novamente os olhos.

As caixas pretas calaram-se. Acendi a luz, acabei o whisky e desloquei o corpo para o quarto, na direcção da cama, com aquela sensação de vazio com que acordo todos os dias.


Nota do autor: a culpa é da DiTa... fez-me ir ao meu baú de textos e desencantei este... a pedido de várias famílias, resolvi partilhar... não fiz alterações, está tal e qual a versão original... já tem uns anitos.

terça-feira, maio 01, 2007

Sou um 25 de abril

Não gosto de falar de religião nem de politica. Por isso, é disto mesmo que não vou escrever.

Eu sou uma portuguesa. Uma lusitana de gema. Sangue puro lusitano. Não me interpretem mal, adoro mesclas... sem qualquer escrúpulo ou paternalismo. A questão é que sou assim: o meu ser encaixa perfeitamente no temperamento português. Enfim, sem pretensiosismo e até com algum pesar, admito: eu sou um 25 de Abril!

É raro explodir, adoro a mudança, passivamente pacifica e subliminarmente persistente. Levo os meus sonhos a bom porto... muuuuiiiito devagarinho. Tento não magoar, tento não ferir, nem que para isso tenha que me ferir a mim. Por outro lado, tenho prazer sádico e curioso, em magoar gratuitamente apenas para obter reacções. Ainda assim, a coisa anda para a frente. Com isto quero dizer: não vivo de metas, mas sim do percurso até elas. Sempre fui dura comigo, por isso, e vendo bem... no fundo é isso é que nos faz ser. Não é?

Começo a acreditar que, tal como eu, vivo e sou (e friamente o cito) "um pais que não se deixa governar, nem sabe governar-se"!
É! É o retrato de nós, é o retrato de mim! Sou! Não sei o que quero, só sei o que não quero!


Nota: retirado de um texto meu perdido nos confins do tempo, que agora achei e me revi