quarta-feira, março 28, 2007

pequenos portugueses

Foi com pouca surpresa que vi a eleição de António Salazar como o maior português de todos os tempos no programa Grandes Portugueses da RTP1. Aliás, depois de conhecer o ranking dos outros 90, já não esperava outra coisa...

Isto só veio reforçar a minha ideia de que o povo português é um povo que não está preparado para viver em liberdade. Nem tão pouco sabe o que é a liberdade.

Liberdade não é fazer o que nos dá na real gana, sem nos preocuparmos com as consequências. Liberdade não é meter o dinheiro dos contribuintes ao bolso, sem sofrer qualquer represália por isso. Liberdade não é enganar o fisco sem nos acontecer nada e sermos vistos como herois. Liberdade não é conseguir enganar o próximo e sair ileso. Liberdade não é insultar gratuitamente quem nos apetece.

Viver em liberdade é saber respeitar. É ser consciente e responsável. É ser honesto e justo.

O povo português não sabe o que é viver em liberdade. O povo português precisa de uma babysitter que tome conta dele, que lhe diga o que pode e o que não pode fazer. O povo português precisa que uma força de autoridade lhe diga o que é errado fazer, pois a sua consciência não possui tal capacidade. O povo português admira os vigaristas e os trapaceiros. O povo português não respeita o próximo. O povo português é prisioneiro da sua pequenez e da sua incapacidade de ser livre. Ser livre é ter a capacidade de pensar. O povo português não pensa, age em manada e deixa-se conduzir facilmente, embora acreditando que está no comando.

Dizem que já fomos grandes, quando pilhávamos e escravizávamos outros povos mais pacíficos... Talvez por isso tenhamos boas relações com os EUA, esse grande ícone da liberdade... que não invade outros países e que respeita tanto a liberdade dos seus cidadãos, que acredita que estes não precisam de ser vigiados constantemente... (e o Echelon e o Carnivore também não existem)

Viva Portugal! Viva os portugueses! Somos os maiores! Só é pena não sabermos o que é a liberdade, nem saber viver em liberdade...

Fala-se tanto em orgulho nacional... No orgulho de ser português... Pois eu quantos mais portugueses conheço, menos orgulho tenho da minha nacionalidade. Quantos mais casos de corrupção vejo, mais vergonha tenho de ser português. Quanto mais vejo as manadas de bestas que peregrinam aos domingos até aos estádios de futebol, menos vontade tenho de dizer que sou português.

Claro que também há bons portugueses, que dão prestígio ao nome português, mas infelizmente são a excepção à regra e não passam disso mesmo: uma minoria. Uma minoria que não tem a obrigação de levar os outros às costas e fazer este país andar para a frente, para proveito de uma maioria de pequenos portuguesinhos, que não o merece.

domingo, março 18, 2007

Flintstone da Vinci

Conhecido de todos este Senhor, merece quanto a mim um lugar de destaque na histórial mundial, colocando-o no mesmo patamar de Leonardo Da Vinci. Não por ter dado origem a 9999 livros em torno da sua figura, mas sim por ter a mesma capacidade inventiva do Mestre Da Vinci.

Não sei se podem constatar nos lugares onde vivem, mas na minha cidade é por demais evidente um novo fenómeno que se encontra em crescente expansão, e que dá pelo nome de "publicidade a motor". Para aqueles que ainda não repararam trata-se de veículos parados nos mais variados locais, c
om publicidade a tudo e mais alguma coisa. A vantagem é evidente: custo 0€. Recentemente passei por um carro parado na berma da estrada numa curva, o típico sitio "bate-me sff que sou sadomaso", com a publicidade a uma oficina de reparações e com uma seta a apontar para a rua da oficina. Ora assim sendo aquele carro só pode mesmo estacionar naquele sitio e talvez seja mesmo obrigado a ser sadomaso.

Há sem dúvida aqui um processo engenhoso de poupar dinheiro, e quanto a mim o primeiro a registar a patente "Transformando Automóveis em Painéis Publicitários" poderá ganhar uns trocos valentes, ou então não. Acho no entanto que deve ser prestada a devida homenagem a quem se lembrou de tão brilhante ideia em pleno século XXI, e por isso peço a todos, que quando esta frase chegar ao ponto final se ajoelhem, batam 5 vezes palmas, digam bem alto "Obrigado Mestre", e já agora boa sorte para o caso de alguém estar a ver a vossa figura .


Depois desta merecida homenagem que certamente será prestada por muitos, apontando as previsões mais optimistas para 1 pessoa, falemos então do grande Fred, que muitos séculos antes já tinha tido uma ideia bastante melhor, e que pode fazer com que a patente
"Transformando Automóveis em Painéis Publicitários", seja um caso de plágio invertido. Passo a explicar.

Foram recentemente descobertos os primeiros esboços de Fred Flintstone, ao bom estilo de Da Vinci, que revelam que o fenómeno da "publicidade a motor" se trata sem dúvida de plágio invertido.



Depois da descoberta deste facto que poderá abalar a História Mundial, parece-me que Fred Flintstone é sem dúvida o pai da ideia original "Transformando Painéis Publicitários em Automóveis", que agora foi invertida e copiada por esses senhores, que afinal não mereceram a homenagem que tiveram minutos antes, e que pode ter levado alguns de vocês a fazer uma figura lamentável para nada.


terça-feira, março 13, 2007

Perguntinha rápida

Um bocado fora do projecto meia…
Vou ser muito rápida! Quero apenas pedir para me esclarecerem uma pequena dúvida de Português… Tantos de vocês consultam frequentemente os vossos dicionários e o meu está tão desactualizado, por isso por favor esclareçam-me! Tudo o que quero é perceber o significado de uma palavra estranha que ouvi numa música. Uma música em Português, que toca vezes sem conta na rádio. A sua letra tem uma palavra que desconheço e cujo significado não encontro… A música é cantada pelo Paulo Gonzo e a letra é algo do tipo:

Sei de cor
cada traço
do teu rosto,
do teu olhar.
….

E a certa altura:

Sei
Por que becos te escondes.
Sei ao pormenor
o teu melhor e o pior.
Sei de ti mais do que queria
Numa palavra diria
Seitedecor

Então? Alguém me esclarece? :)

segunda-feira, março 12, 2007

Sintomas (publicidade parte II - "a vingança")

Começo por confessar que este post já estava na forja ha algum tempo... desde o 1º dia que vi o anuncio do "cê gripe" que fiquei com uma comichão por dentro...

"... bla bla bla... cê gripe, combate eficazmente os sintomas da gripe..."

segundo o dicionário priberam, um sintoma é um fenómeno ou sinal que revela uma lesão ou perturbação funcional de um órgão; pode ainda ser um indício ou um presságio, caso estejamos em presença de um significado em descrição figurativa.

Desta forma, podemos facilmente inferir que ao tomarmos o referido produto, vamos ver-nos livres dos indícios (ou sinais) da gripe... tais como a tosse seca, nariz entupido, garganta inflamada, dor muscular, dor de cabeça, arrepios ou mesmo febre elevada.

Na realidade o que pretendiamos era curar a gripe própriamente dita, mas não! Vamos antes deixar de tossir ou de ter arrepios enquanto a gripe nos consome, silenciosamente e tranquilamente, enquanto ficamos com a sensação de que tudo está bem.

É um pensamento claramente em voga, este de disfarçarmos as coisas, para que nos sintamos bem, sejam elas uma ruga ou mesmo uma passa num canhão... a minha preferida é mesmo a capa de um livro de que tanto se gosta e que para preservar, se encapa com papel (muitas vezes de embrulho para presentes) protegendo efectivamente o livro, mas impedindo os nossos olhos de poder admirar a capa, no fundo o motivo da protecção...


Aquele cenário fantástico da MATRIX, onde estamos todos ligados a 1 grande máquina que nos alimenta os sonhos, enquanto o nosso corpo serve outros, começa cada vez mais a fazer significado...


O vosso amigo,
ç

segunda-feira, março 05, 2007

Sentindo Sem Sentido

Que saudades! Caramba!
Não aguento esta coisa de me faltar o que não cheguei a ter. Estivemos quase lá... mas, quando eu me devia ter esforçado mais, julgava que devia usar da calma... quando furei, rasguei, estraçalhei, olhava para trás e ficava palerma, com o estrago que se tornava ainda mais óbvio com o silêncio esbugalhado dos que testemunharam... e o recuo ultrapassava, em muito, o avanço!
Cada vez mais, fico sem saber o que fazer! Que queres que faça? Finjo-me morta? Ignoro? Endureço? Enrijeço, esfrio?

Dá-me de volta a minha dignidade. Quero-a! É minha de direito! Não sabes quem eu sou?!! Porque teimas em mastigar-me?
Fazes por medo... também eu o tenho. Mas sinto mais do que temo. Não me quero amesquinhar, chegar ao ponto do “se tiver que ser...” ! ... ... e ainda assim, continuo a encolher os ombros enquanto reflicto.
Eu quero que seja! E vai ser! Só assim tem que ser!

Reconheces e pecas por medo. E eu... eu quero continuar a pecar por excesso! Quero todos aqueles pequeninos momentos que me deste, só a mim, e nem percebeste. Quero-os outra vez e outra vez, repetidos constantemente, nos mesmos cenários e prolongados, arrastados, lentos, com as vozes mais graves e os embaraços maiores.
Todos podem participar, mas só a mim, tu dizes respeito... assim, como estás, a falar dessa maneira, com esses modos à mesa, com essa ignorância e sapiência, com a tua brutalidade infantil, com a tua força e a, mal disfarçada, fragilidade... susceptível, a mão hesitante na tua boca concentrada... o punho esquecidamente cerrado... ferrado.

Sabes? Vou esperar... não vou fazer mais nada... por nada... nem por mim, muito menos por ti... ... Que admiro e vigio, mas não mais que a mim... que vivo para ti!

sexta-feira, março 02, 2007

gonga

Pois bem, toda a gente deve conhecer o que é um gongo (pelo menos quem ainda for do tempo do Badaró tem obrigação disso).

E uma gonga sabeis o que é? Ora... Como expilica? Como expilica? Não, não é a mulher do gongo, nem tem nada a ver com o gongo do Badaró!

Aliás, uma gonga pode ser tantas coisas, e tão diferentes, que nem sei por que ponta lhe pegue...

Por isso, acho que nem vou pegar, apenas deixo aqui a definição de gonga e deixo-vos a imaginar como seria uma conversa entre um ornitologista, um alentejano, um angolano e um conguês, sobre gongas...

gonga

s. f., Ornit.,
ave de rapina africana;

Alentejo,
mulher má, ruim;
burra velha, sem préstimo;

Angola,
instrumento de música;

s. m.,
cesto conguês feito das palhas de mateba.